Coronavírus: como se projeta a volta das aulas presenciais em universidades da América Latina


Diante da pandemia do coronavírus, a educação tem sido uma das áreas mais atingidas, incluindo o intercâmbio de estudantes. A emergência sanitária fez com que 90% dos jovens que estavam em um programa de mobilidade acadêmica retornassem aos seus países de origem.

A crise de saúde afetou drasticamente os alunos matriculados em programas acadêmicos de longa duração que, além de retornarem aos seus países, tiveram que fazer aulas online. Este foi o caso, inclusive, dos brasileiros que cursam o ensino superior nas universidades de vizinhos de fronteira como Argentina, Paraguai e Bolívia.

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“Os intercâmbios foram uma das áreas mais afetadas e não sabemos exatamente quais os procedimentos que serão implementados, porque os países têm políticas diferentes em relação à pandemia. “Muitos deles estão recebendo apenas seus residentes ou nacionais e isso afeta de maneira relevante tudo o que leva à mobilidade acadêmica, que hoje está em colapso”, disse a Dra. Adriana Palma, presidente do Pacto Latino-Americano pela Educação e Qualidade Humana (PALECH), em entrevista ao jornal Milenio.

Por meio de convênios, várias universidades da América Latina buscarão desenvolver esforços de mobilidade acadêmica em um modelo híbrido para o próximo ano.

Entre os benefícios que a mobilidade estudantil proporciona está o conhecimento de outras culturas, países e tradições, além de promover o ensino, a pesquisa e o conhecimento dos alunos. Por esta razão, A PALECH convocou as universidades públicas mais emblemáticas da América Latina para realizar uma aliança, onde escolas como a Universidade Nacional Autônoma do México, a Universidade Autônoma de Santo Domingo, a Universidade de Porto Rico, a Universidad Nacional Mayor de San Marcos, no Peru, a Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina, e a participação da Cátedra UNESCO da América Latina no Ensino Superior, buscarão gerar mobilidade acadêmica após a pandemia. 

Por meio de uma metodologia multidisciplinar e abrangente, essa aliança buscará desenvolver esforços de mobilidade acadêmica em um modelo híbrido, ou seja, presencial e virtual, com um convênio que busca transmitir experiências, conhecimentos, aplicações e atividades com responsabilidade social.

Inicialmente, uma equipe deve fazer todas as atividades como se estivesse presente no local, para que possa conhecer virtualmente os cinco países que estão envolvidos na aliança. Participam deste projeto 250 professores, 2.500 alunos e 70 investigadores, estes últimos essenciais, visto que será feita uma investigação específica do impacto e benefício dos jovens em regime de imersão nos programas híbridos de mobilidade acadêmica, com base na responsabilidade social.

Universidades argentinas: aulas presenciais no final de 2020 com rígidos protocolos de saúde

No final de 2020, as universidades argentinas projetaram aulas presenciais apenas para os alunos do último ano de carreira com disciplinas práticas que, por sua natureza, não poderiam ser ministradas a distância como, por exemplo, medicina e odontologia.

Em dezembro, várias instituições foram autorizadas a abrir as portas dos campus, oficinas, laboratórios e hospitais-escolas, após a aprovação de rígidos protocolos de saúde. As autoridades acadêmicas viram nesta etapa um importante avanço, que possibilitou aos alunos que estavam perto da formatura obter o título de graduação.

Várias casas de estudos superiores da Argentina relataram a novidade aos seus alunos. Na Universidade de Buenos Aires (UBA), a resolução atingiu seis faculdades e as escolas de Educação Profissional Técnica de Lugano e de Produção Agrícola e Alimentar, ambas dependentes da instituição. “O retorno parcial ao atendimento presencial, organizado hoje na Universidade de Buenos Aires, se limita às atividades de técnicos, professores e alunos do último ano das respectivas carreiras, que requerem estágios para a obtenção do diploma de graduação. Para tanto, um protocolo de segurança e higiene foi aprovado para o retorno das atividades no contexto da pandemia Covid-19”, relatou em um comunicado.

Especificamente, os estágios da UBA correspondem a disciplinas das Faculdades de Farmácia e Bioquímica, Agronomia, Ciências Veterinárias, Odontologia e Ciências Exatas. “No caso da Medicina, também são contemplados, mas sujeitos à disponibilidade dos hospitais, uma vez que são afetados pelas atividades e exigências que o atendimento ao paciente com Covid-19 exige, e pela dinâmica que isso acarreta”, alertou a UBA.

O protocolo da UBA, aprovado pelo Ministério da Saúde de Buenos Aires e pelo Ministério Nacional, estabelece diretrizes para a religação acadêmica, sempre com o objetivo de prevenir e controlar o risco de contágio na comunidade universitária . Para isso, devem ser estabelecidas as disciplinas, número de alunos, distanciamento, taxa de ocupação dos espaços fechados, distribuição no tempo de atendimento e permanência, uso de máscara, limpeza e desinfecção das salas de aula, portas e janelas sempre abertas, entre outras recomendações. 


No final de novembro, a Universidade Católica Argentina (UCA) também deu o primeiro passo com o mesmo objetivo de dar continuidade aos processos de graduação e emissão de títulos, priorizando os alunos das carreiras em Ciências da Saúde, cujo os diplomas constituem profissões consideradas essenciais.

Para isso, a UCA preparou e apresentou às autoridades competentes o “Protocolo para realização de atividades de simulação do Laboratório de Habilidades Médicas no contexto da pandemia Covid-19”, que inclui pontos como o ingresso na universidade, circulação pelo campus, processos de limpeza e desinfecção e ação médica na presença de sintomas compatíveis com Covid-19.

Rodolfo De Vincenzi, reitor da Universidade Aberta Interamericana (UAI) disse: “Conseguimos aprovar os protocolos nas três jurisdições em que operamos e, embora em todas as licenciaturas os alunos conseguiram sustentar o ensino virtual, há algumas que exigem práticas que não podem ser realizadas à distância ou que possam ser substituídas por qualquer outro regime. É o caso de medicina e das restantes carreiras de ciências da saúde”. Na primeira semana de dezembro a universidade retomou algumas atividades, em sintonia com o que indica o semáforo epidemiológico de cada jurisdição, e sob rígidos padrões de segurança e higiene acordados com as autoridades sanitárias nacionais e locais.